Presidente Della Volpe faz balanço de 2012 e
fala sobre contratações, Cicinho, Luan, Futebol de Base, mudanças nos
setores do estádio e muito mais
O presidente Márcio
Della Volpe esteve na última sexta (7) na sede do Correio Popular, a
convite do jornal, para fazer um balanço do ano da Ponte Preta em 2012
–cujos principais trechos foram publicados hoje no jornal. A equipe do
site oficial/PonTV participou da entrevista e traz para o torcedor
alvinegro as opiniões do presidente sobre os mais diversos tópicos
envolvendo a temporada da equipe. Confira o que diz o presidente
alvinegro.
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PontePress/BifeGodoy
PontePress/BifeGodoy
Avaliação da campanha
Se computarmos ano
inteiro, foi bem satisfatório. Nos campeonatos que disputamos atingimos
boas colocações, em que pese termos caído contra o São Paulo na Copa do
Brasil. No Paulista, apesar do trauma do dérbi, chegamos longe, fomos
para a segunda fase e eliminamos o Corinthians, campeão da
Libertadores. No Brasileiro, cumprimos nossa meta inicial de nos
mantermos na série A, em todo o campeonato sempre nos mantivemos longe
da zona de rebaixamento. Desta forma foi muito satisfatório o ano de
2012 e temos que projetar um 2013 melhor, atingindo algo a mais.
Permanência de atletas e surpresas
Tínhamos certeza de
que o Cicinho ia ficar. Desde sempre sabíamos que haveria investimento
na compra dos direitos e ele permaneceria na Ponte. A única grande
surpresa foi o Renê Jr., estávamos com uma composição boa para ficar com
ele, mas ele tinha um bom negócio no Santos e isso acabou nos
frustrando. E agora há essa possibilidade do Luan ir para o Atlético-MG,
o Luan quer, estamos conversando com a equipe mineira. Mesmo assim,
estamos mantendo uma boa base para o ano que vem, mais do que em
comparação ao ano anterior.
Valorizar jogadores e eventualmente perdê-los
É um risco que se
corre, principalmente se você não tem os direitos federativos, corre o
risco disso acontecer. Essa é uma linha que queremos para os próximos
campeonatos e anos: quanto mais direitos federativos tivermos, melhor,
quanto menos você tem, mais se expõe. Neste ano por uma questão
financeira, estávamos voltando para a série A e com verbas menores,
tivemos que primar pela qualidade, não por garantias. Já a partir de
2013 temos condições de mudar isso.
Luan
Acho que havia uma
expectativa do Atletico Sorocaba de que não fossemos exercer o direito
de compra de 40% dos direitos financeiros do atleta que tínhamos em
contrato e nós exercemos. Porém o Atlético Mineiro fez uma oferta
financeira muito grande para ele e, apesar de termos os direitos, não
temos um contrato para o ano que vem e ele pode não querer assinar um
novo contrato, aí teríamos que bloquear o jogador na Justiça e isso
travaria tudo, não seria bom para nenhuma das partes. Então estamos
conversando com o Atlético-MG para fechar uma negociação financeiramente
boa para a Ponte, já que o atleta não quer ficar aqui. Acho que as
declarações dele sobre querer ir jogar no Atlético foram infelizes,
deixaram ele mal com a torcida. Por outro lado o que foi oferecido a ele
é fora do padrão para quem jogou seis, sete partidas, isso mudou a
cabeça do menino, que não está mais aqui.
Desequilíbrio nas cotas de TV
Estamos negociando as
cotas desde agosto. É um assunto complicado. Veja, estamos sendo muito
elogiados porque “mesmo com as cotas foram heróis”, mas a verdade é que a
gente anda com uma arma na cabeça o ano inteiro porque recebe um décimo
dos outros times. E no meio do campeonato os 18 que fazem parte do
antigo clube dos 13 ainda receberam mais aportes, daí o Inter trouxe
Forlan, o Botafogo trouxe o Seedorf, aqueles times se reforçaram,
pagaram salários atrasados. Só que esporte tem que ser esporte, não é
briga de audiência. Hoje em dia se paga pela audiência, não pelo
futebol. Recebemos todos esses elogios pelo nosso desempenho porque
fomos intrusos, é quase como se dissessem “parabéns, você não devia
estar aqui”. Não poderia ser assim, teria que ser uma competição
igualitária, em que os times entrassem com as mesmas forças, não
houvesse essa distorção. E isso que estou falando não tem nada a ver com
a emissora que paga as cotas, ela é uma entidade privada e pode agir da
sua forma. São os clubes e a CBF que deveriam agir, são os clubes que
jogam bola.
Deveria haver teto de salário no Brasileiro?
Deveria haver teto de
salário e mais reciprocidade entre os clubes, parar com essa coisa de
tirar atleta pagando mais. Essa falta de equilíbrio tira a graça do
esporte. A Ponte começou o campeonato sendo apontada como favorita a
descenso, porque os que ganham menos são os que tem mais chance de
cair. Aqui no Brasil ainda temos uma alternância entre os campeões, mas
veja, o badalado espanhol perde em audiência e em público a cada
temporada por causa do desequilíbrio. Ele começa e já se sabe que os
campeões serão o Real Madrid ou o Barcelona. Em Portugal é só o Porto. O
futebol brasileiro quer se transformar nisso? Começa o campeonato e já
se aponta cinco ou seis dentre os quais estão os que devem cair. E o
drama que se fez com a queda do Palmeiras, um monte de gente dizendo que
não podia cair. Não pode cair por quê? E agora o Palmeiras vai passear
na série B, pois ele vai receber 60 milhões para gastar e os outros 2
milhões cada. Os clubes tem que repensar, até porque muita gente pensa
já que a grande maioria sofre, temos poucos clubes ricos e muitos
pobres. A mudança de conceito tem que ser geral. Algumas coisas tem de
ser feitas para valorizar um campeonato, sem times não tem campeonato,
então temos que assumir posição.
Meta da Ponte no Paulista
Você não pode entrar
em um campeonato, por mais difícil que seja, sem pensar em ganhar. Um
time como a Ponte, um time de torcida, de apaixonados seguidores, não
pode entrar com preocupação no Paulista só para se manter ou em busca de
titulo do interior. Temos que entrar com o conceito de ser campeão,
mesmo que a qualidade técnica do time seja inferior a de outros. Vamos
entrar para chegar o mais longe possível, e o mais longe possível é o
título.
O presidente afastado Sérgio Carnielli esta ajudando a comprar direitos dos jogadores?
Com esse sucesso da
Ponte no Campeonato Nacional, jogadores mais baratos acabaram tendo
valorização e isso grande desperta atenção de empresários, não só da
bola. Gente que quer investir e não sabe como. Não só o Sérgio Carnielli
como mais gente quer fazer esse investimento e manter percentuais na
Ponte. Nossa expectativa é conseguir isso, é ter os direitos dos
jogadores. Os atletas do elenco 2013 já estamos tratando assim, nenhum é
empréstimo de equipe ou empresário e sim aquisição dos direitos
federativos para que possamos mantê-los. Hoje a Ponte está garantindo os
recursos, mas sempre conversando com empresários para bancar e deixar
direitos federativos na Ponte.
Mudanças nas cadeiras
Estamos providenciando
o modelo do setor do TC10, que será apresentado no primeiro jogo e a
instalação deve ser nesta semana. A torcida adversária vai ser um pouco
deslocada para a direita, vamos ampliar um pouco o setor da Ponte e a
parte do meio do campo será dividida. Os TC10 vão ficar nas cadeiras da
Brahma, na região mais centralizada, e o restante da geral um pouco mais
ao canto.
Novo TC10
Temos 11 mil
associados, cinco mil em dia. O TC10 cresceu pouco neste ano, mas
acreditamos em uma grande alavancada agora. Fechamos parceria com a TWA,
empresa que faz os ingressos, e será um programa de fidelidade com
descontos em rede de supermercado, etc. Mas a grande tacada vai ser com
esquema da AmBev, com descontos diretos no dcaixa do supermercado (em
produtos de diversas marcas, como Pepsico, Kibon, Gessy Lever). O
torcedor vai chegar no caixa com a carteirinha ou passa o CPF, e isso
gera desconto. Numa compra de 200 reais, se você compra produtos destas
linhas, tem desconto de 35 reais, é praticamente a mensalidade. Queremos
chegar a 20 mil no TC10, nas várias categorias. Vai crescer muito, com
descontos em companhia aérea, eletrônicos, supermercados e, claro, nas
lojas da Macaca. Queremos trazer toda a torcida para ser Camisa 10 e
entrar no estádio com carteirinha: quanto menos ingresso vender, melhor.
Resultados da Base e a parceira com a Contra-Ataque
Desde o começo
apostamos na parceria, o primeiro passo foi eliminar custos, que eram
muito altos. Limpamos tudo e começamos do zero. Nossa expectativa era de
que em dois anos começaríamos a ter atletas para o profissional,
estamos com um ano e meio de parceria e isso começa a acontecer. O CT de
Jaguariuna (Recanto da Macaca) é fantástico. Com base você tem que dar
estrutura. Não adianta fazer um CT lindo, com 20 campos de futebol, e
não ter escola perto, nada perto. O Jovem tem que estudar,senão conselho
tutelar multa o clube, tem que ter transporte. Em Jaguariúna a escola é
na frente, temos alojamentos, aprovamos lei de incentivo para fazer
mais melhorias no ano que vem . Aquela área tem de ser a principal da
Base da Ponte. Tudo o que fizemos nesta parceria reflete no Alef, que
está subindo pro time profissional, no Rossi, que voltou, no Jefferson e
o Yan na seleção brasileira.
Formação de atletas da Base para o Profissional
Em 2015, do goleiro
ao volante terão que vir da base. Queremos 50% do time profissional
advindo de lá. Não queremos sair ao mercado para pegar um Baraka e um
Cléber: Baraka e Cléber terão que sair da base da Ponte. Este é o
conceito que queremos. O Kiko (Francisco Marques, diretor das
categorias) e o Miguel de Ciurcio estão em cima, o técnico Guto Ferreira
gosta muito de desenvolver jogadores da base e isso está ajudando
muito. Prevejo um grande sucesso da Base se continuarmos assim.
Reforços para 2013
Tem nomes que se
apresentam e que a torcida vai gostar. Não é o Cajá, que até gostaria de
vir, mas tem contrato até 2014 e ganha 280 mil por mês. A não ser que o
time chinês pague uma parte, mas já no ano passado nos avisaram que ele
só pode vir se pagarmos salário integral, como o time do Japão em que
ele atua está fazendo. Portanto só se ele rescindisse o contrato e
quisesse ganhar menos. Sabemos que a torcida adora nomes de peso, mas
muitos deles custam 200 mil, 300 mil, outros que até perdem jogo da
final, mas custam 1 milhão. Nãopodemos fazer, por exemplo, o que o
Figueirense fez com o Loco Abreu, pagar 250 mil por mês para ter o
jogador em três ou quatro jogos e não resolver, é complicado. E pensar
em nomes de peso hoje não é certeza de nada. No brasileiro tivemos um
exemplo antagônico. Chegou o Forlan no Inter,com todo mundo achando que
ia arrebentar, e acharam que o Seedorf não ia conseguir jogar no
Botafogo, e ocorreu o oposto. Seedorf jogou bem, virou ídolo, onde ele
passava na Soccerex, por exemplo, era parado para dar autógrafo. E
Forlan foi xingado, teve nome pichado em muro e daí para frente. E mesmo
você pensando em termos de fazer um marketing com o jogador, isso dura
pouco, dura um jogo, no segundo já não é novidade.
Palmeiras e Inter tiveram campanhas caras e Ponte, com orçamento menor, teve mais sucesso. Qual sensação isso traz?
As pessoas chegam e
dão parabéns, mas a sensação não é de orgulho, é de andar com uma arma
na cabeça. Este ano deu certo, no ano passado deu certo para outros, mas
são clubes que ficam com a corda no pescoço, tem que acertar muito. O
Palmeiras gastou oito milhões por mês só com elenco, sem contar comissão
técnica, e fez um campeonato pífio. Então em vez de orgulho, lamento a
diferença que fazem entre os times. Se houvesse um padrão igual para
todos, ninguém questionaria, ficaríamos mais tranquilos. Esse
desequilíbrio em termos de cota tem que mudar.
Apostas
O jogador sempre vai
olhar para onde tem a melhor possibilidade financeira, trabalha com
prêmios também, avalia chances de título. Veja, o Guilherme saiu daqui
na semifinal do Paulista e hoje disputa um mundial. Se ele entra e faz
um gol que define o título, é ídolo pro resto da vida. São chances que o
atleta percebe e podem mudar as vidas deles. Queremos oferecer estas
chances na Ponte também. Hoje a Ponte é quinta força do estado, você não
percebe outra força no Interior, os times estão acabando, a força
concentrou na Ponte e isso não é fácil também, a caminhada dura. Veja,
se a Ponte caísse neste ano, sairia de cotas de 18 milhões para 2 mi.
Como montar um time com 2, contando passivo e despesas? O Sport caiu pra
série B, mas vai disputar com cotas de 25 milhões, então se equaliza.
Nós temos expectativa de melhorar nossa cota, conversamos com a Globo e
estamos bem encaminhados, mas não temos certeza ainda. E também há outro
aspecto complicado em transmissões de TV: a visibilidade em jogos à
noite, por exemplo, quando você não está no horário de maior destaque,
atrapalha negócios do marketing. No Paulista, dizem que somos a paixão
da SporTV, mesmo assim, é um canal fechado. Isso é um complicador.
O que esperar para 2013
Um ano melhor do que
2012. Um time competitivo, com chances reais de conquista de título e
bons desempenhos. E o início de projetos que já acalentamos há tempos,
como a Arena Ponte Preta, que está efetivamente caminhando para sair do
papel em 2013. Os tratores já estão com os motores ligados para
começarmos assim que saírem os avais da prefeitura, tivemos um grande
apoio do prefeito Pedro Serafim e já contamos com o apoio do prefeito
Jonas, que está inteirado sobre o projeto e sua importância para a
cidade.
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