terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Receita de Lider

Ponte une gratas surpresas e apostas certeiras para liderar o Paulistão

Com planejamento e investimento, diretoria monta time competitivo para buscar primeiro título de expressão da história da Macaca

A tradicional mescla entre juventude e experiência ganhou mais uma versão de sucesso com a Ponte Preta 2013. Líder invicta do Campeonato Paulista, a Macaca une gratas surpresas, como Cleber e Bruno Silva, e apostas certeiras, como Ramírez e William, para conquistar 75% dos pontos disputados até o momento e virar a sensação estadual.
A receita é antiga, mas nem sempre dá certo. Para colocar em prática a teoria ‘perfeita’, o clube investiu mais do que nos últimos anos, tanto para a manutenção da base defensiva como para a contratação de destaques ofensivos. Uma Macaca sem fórmula secreta, mas que os adversários ainda não conseguiram desvendar uma maneira de vencê-la. Entre eles, as potências Corinthians, São Paulo e Santos.
Bruno Silva comemora gol da Ponte Preta contra o Santos (Foto: Ag. Estado)Jogadores da Ponte comemoram gol de Bruno Silva contra o Santos (Foto: Ag. Estado)
 
O planejamento começou em 2012, com o Brasileirão ainda em andamento. Assim que a equipe praticamente eliminou o risco de rebaixamento, a diretoria renovou com o técnico Guto Ferreira e partiu para a montagem do elenco. Dos titulares, segurou o goleiro Edson Bastos, os zagueiros Ferron e Cleber, o lateral-esquerdo Uendel, o lateral-direito Cicinho e o volante Baraka. Todos ganharam aumento.
Nos casos de Cleber, Cicinho e Baraka, o clube precisou superar a concorrência de grandes clubes. O primeiro esteve na mira do Fluminense, enquanto Baraka foi sondado pelo São Paulo. No início deste ano, empresários tentaram levar Cleber para o Palmeiras, indicado por Gilson Kleina, o mesmo que pouco utilizou o zagueiro na Ponte.
Desacreditado na chegada ao Majestoso, após ser rebaixado pelo Catanduvense no último Paulista, o defensor ganhou espaço com Guto Ferreira, fechou o ano em alta e começou a atual temporada melhor ainda, tanto que já teve o nome ventilado em Vasco e Corinthians. O fruto do esforço é ter a melhor defesa do Paulistão, com cinco gols sofridos em oito partidas.
PONTE NO PAULISTÃO 2012
Ponte Preta 0 x 0 Mogi Mirim
Corinthians 0 x 1 Ponte Preta
Guarani 1 x 3 Ponte Preta
Ponte Preta 1 x 0 Oeste
Ponte Preta 2 x 0 Penapolense
São Paulo 0 x 0 Ponte Preta
Ituano 3 x 3 Ponte Preta
Ponte Preta 3 x 1 Santos
Por outro lado, perdeu peças importantes. Renê Júnior é uma delas. A Ponte pretendia mantê-lo, mas a proposta do Santos foi tentadora. Roger, Nikão e Luan também deixaram o Majestoso. Mas a Macaca acertou em cheio nas peças de reposição. Bruno Silva chegou do Avaí por R$ 500 mil para o lugar de Renê Júnior e já correspondeu às expectativas, com dois gols. Sem Roger, a camisa 9 ficou para William Batoré, que voltou à Ponte após dois anos para ser o artilheiro do time, com três gols até agora.
O grupo alvinegro não tem uma superestrela. O principal nome do elenco é o peruano ‘Cachito’ Ramírez, emprestado pelo Corinthians até o fim do ano. Para conseguir a liberação, a Ponte abriu mão do R$ 1 milhão que tinha direito por 50% do passe do lateral-direito Guilherme Andrade. E quando a fase é boa, tudo conspira a favor. O peruano estreou no dérbi campineiro, entrou no segundo tempo e foi decisivo para a vitória por 3 a 1, com um gol de falta quando a partida estava empatada e uma assistência. O camisa 10 da Ponte também já deu mais três passes para gols.
O equilíbrio do elenco é outro ponto forte. Independentemente de quem sai ou quem entra, o ritmo continua o mesmo. Foi assim na vitória por 3 a 1 sobre o Santos, no último domingo. Alemão substituiu William e fez dois gols em 15 minutos em campo. O último saiu de um passe de Wellington Bruno, que entrou no lugar de Ramírez.
– É uma série de fatores que explica a campanha da Ponte até agora. Primeiro, tivemos tempo para trabalhar a montagem do elenco. Com a campanha regular de 2012, não precisávamos apagar um incêndio por dia. A Ponte também fez sacrifícios financeiros, o que não aconteceu em outros anos. Em terceiro lugar, fomos felizes com os reforços que chegaram – comentou o executivo de futebol da Macaca, Ocimar Bolicenho.
Ramírez, meia da Ponte Preta (Foto: Heitor Esmeriz)Ramírez é o principal nome do elenco da Ponte no Paulistão (Foto: Heitor Esmeriz)
A montagem do elenco reflete diretamente no estilo de jogo da equipe. O que se vê em campo é uma equipe com forte marcação e saída rápida para o ataque. Atuando em casa, a estratégia dá ainda mais certo. Já são seis meses de invencibilidade no Majestoso. A última derrota foi em agosto, para o Bahia. De lá para cá, foram nove vitórias e quatro empates.
Com Guto Ferreira, os números no estádio são ainda melhores. Em sete partidas sob o comando do treinador diante da torcida, a Macaca venceu seis e empatou uma. Em 2013, Oeste, Penapolense e o Santos de Neymar foram as vítimas de uma Ponte 100% no Majestoso – o empate com 0 a 0 com o Mogi foi em Americana, já que o estádio estava interditado.
– A sintonia com a torcida é muito importante nessa série incrível que a Ponte tem em casa. É um time identificado com a história do clube, de superação. O time não desiste nunca, se entrega totalmente. Os jogadores incorporaram esse espírito. Com essa mescla, fica muito difícil superar a Ponte em casa. A dimensão do gramado também ajuda o nosso estilo de jogo, que é de encurtar os espaços – explicou Guto Ferreira.
Os dois últimos gols contra o Santos retratam as principais características da Macaca. No segundo, Cicinho puxou contra-ataque e lançou para Alemão tocar na saída de Rafael. Depois, Wellington Bruno apertou a saída de bola do Santos e forçou o erro de Rafael.
Sem o goleiro na meta, rolou para Alemão concluir de primeira. É assim que a Ponte Preta já tem o terceiro melhor início do clube na história do Campeonato Paulista, atrás apenas das equipes de 1970, que perdeu a invencibilidade na 12ª rodada, e de 1981, que sofreu a primeira derrota no 13º compromisso, e sonha em tirar o clube da fila. Em 112 anos de história, a Macaca não possui um título de expressão.
– A Ponte vem, jogo a jogo, sonhando e tendo atitude. Se isso vai ser suficiente para nos levar até o tão almejado sonho, eu não sei, mas até agora está dando certo e esperamos poder crescer, nos fortalecer e poder, lá no final, olhar na tabela e ver a Ponte onde está hoje, em primeiro lugar – afirmou o comandante alvinegro.

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