Recepção hostil da torcida da Ponte marca volta de Kleina ao Majestoso
Cumprimentado pelos jogadores, técnico é recepcionado com
muitas vaias e xingamentos no retorno a Campinas. Torcedores não
perdoam a saída
Por Murilo Borges
Campinas, SP
Se existia alguma dúvida de qual seria a recepção dos pontepretanos com
Gilson Kleina, ela foi exterminada antes dos times entrarem em campo.
Enquanto o locutor do Moisés Lucarelli anunciava a escalação do
Palmeiras, a torcida já se preparava ansiosa. A vaia começou antes mesmo
do nome ficar completo. Para os alvinegros que foram ao estádio neste
domingo, aquele ali, vestido agora de verde, não era o técnico que levou
a Ponte Preta de volta à elite do Campeonato Brasileiro, mas sim o
treinador que a abandonou por uma proposta financeiramente vantajosa.
Torcida da Ponte Preta não alivia no primeiro jogo de Gilson Kleina em Campinas (Foto: Marcos Ribolli)
A hostilidade ficou mais evidente quando os times subiram ao gramado.
Quando avistaram o antigo treinador na beira do túnel, esperado pelos
repórteres para a primeira palavra como adversário da Ponte, os
torcedores já prepararam os gritos. Era uma amostra do que estava por
vir. Mercenário foi o xingamento mais leve ouvido por Kleina. Alguns
torcedores, desobedecendo a orientação da diretoria, atiraram moedas
para o campo, mas não acertaram o comandante.
Torcedores atiraram algumas moedas, apesar dos
pedidos da diretoria (Foto: Vanderlei Duarte / EPTV)
A esperteza do palmeirense o salvou de mais ofensas. Ao ver que o time
da Ponte Preta entrava em campo, Kleina aproveitou o embalo da saudação
dos torcedores para se dirigir ao banco. No caminho, cumprimentou
integrantes da comissão técnica, alguns dos jogadores que dirigiu em
2012 e recebeu até abraços dos mascotes da Macaca.
O sorriso de quem se sente em casa ficou discreto com a bola rolando.
Acostumado a perder os cabelos ao ver a rede da Ponte balançar nas 115
partidas que ficou no clube, Gilson Kleina foi contido na comemoração do
gol alviverde, logo a três minutos, marcado por Tiago Real. Preferiu
orientar os jogadores, sabendo que a pressão para manter o resultado
seria grande. Não deu outra. Pela primeira vez em tempos, o técnico
lamentou um gol da Macaca. Sem saber como reagir, retornou ao banco de
reservas para falar com os auxiliares.
Kleina foi uma das atrações da partida: ele dirigiu a Macaca 115 vezes consecutivas (Foto: Marcos Ribolli)
Novamente ofendido na descida para o intervalo, o comandante manteve a
serenidade na beira do gramado no segundo tempo. Só se soltou de vez
quando Leandro soltou a bomba por baixo de Edson Bastos e recolocou o
Palmeiras na liderança do placar. Comemorou com abraços nos auxiliares e
nos reservas que ainda estavam no banco.
A partir daí, poucos gestos. Quase imóvel na área técnica, Kleina
levantava apenas as mãos para pedir calma aos atletas, conforme a
pressão aumentava. Quando a batata esquentou, com a expulsão de Cleber e
a revolta da torcida com a arbitragem, o treinador preferiu se recolher
no banco. No fim, ainda lembrado com aversão pelos pontepretanos, o
palmeirense manteve a postura contida, mas revelou a tristeza pela
recepção hostil.
- Claro que chateia. Eu não saí daqui como bandido. Certas pessoas não
passaram para o torcedor o jeito que foi. Mas a gente entende, respeita.
Sou muito grato a esse torcedor - disse Kleina.
Odiado pela torcida, treinador tem boa relação com jogadores, como Roberto e Wescley (Foto: Murilo Borges)
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