quinta-feira, 18 de abril de 2013

Ponte quer reconhecimento mundial

Movimento quer homenagem à Ponte Preta e Miguel do Carmo na abertura da Copa do Mundo 2014
Objetivo é promover reconhecimento da equipe como primeira democracia racial no futebol brasileiro



Um movimento formado pelos familiares de Miguel do Carmo e famílias de fundadores da Ponte Preta - como a família Burghi e torcedores alvinegros está pleiteando, com o apoio da AAPP, uma homenagem para Miguel e a Ponte Preta na abertura oficial da Copa do Mundo 2014. A ideia é promover um reconhecimento oficial da Macaca como primeira democracia racial no futebol brasileiro.
 
“No dia 27 de março a Câmara Municipal de Campinas já concedeu o Título Mérito Desportivo ao atleta futebolístico Miguel do Carmo. Como a Copa do Mundo será em solo brasileiro estamos neste movimento. Vale lembrar que desde 2003 a Ponte Preta, através do historiador e professor José Moraes dos Santos Neto e a diretoria do clube, tenta ser reconhecida pela FIFA como o primeiro clube a aceitar e ter jogadores negros em sua equipe”, diz um dos lideres do movimento, Carlos Burghi.
 
 
Em 1900, um grupo de rapazes e garotos resolveu fundar um time de futebol. Em 11 de agosto de 1900 Alberto Aranha, Antonio de Oliveira, Dante Pera, Luiz Afonso, Luiz Garibaldi Burghi, Miguel do Carmo, Pedro Vieira da Silva e Zico Vieira fundaram a Associação Atlético Ponte Preta com o objetivo de praticar o futebol sem preconceito de raça ou religião. No mesmo ano da fundação, Miguel do Carmo se tornou jogador do clube, o primeiro jogador de futebol negro do país.
 
 
“Os meninos e rapazes jogadores de futebol eram brancos,negros e mulatos.Entre os jovens tínhamos quatro negros e dois mulatos,mas um deles se tornou jogador do primeiro time da Ponte Preta após a sua fundação em 11 de agosto de 1900,seu nome era Miguel do Carmo conhecido e chamado na época por Migué”, reforça o historiador da Ponte Preta, professor José Moraes dos Santos Neto.
 
 
Com isso, além de ser primeiro time de futebol fundado no Brasil em atividade ininterrupta, a Ponte Preta também se orgulha de ser a primeira democracia racial no futebol brasileiro. Tanto dentro dos campos quanto fora deles, a Macaca foi pioneira em ter cidadãos afrodescendentes em seus quadros, sem nenhum tipo de preconceito, desde a fundação do time em 11 de agosto de 1900.
 
 
Há quem pense que os primeiros times nacionais a aceitar negros e afro-descendentes foram os cariocas, como o Bangu, que em 1905 escalou Francisco Carregal. No entanto, quando isso ocorreu, já fazia cinco anos que Migué do Carmo tinha entrado em campo com a camisa alvinegra pela primeira vez.
 
 
Outro mito amplamente divulgado é de que o Vasco da Gama teria sido a primeira equipe a aceitar negros em seu elenco. Na verdade, o Vasco foi fundado como clube de regatas em 1898, mas só em 1915 criou seu departamento de futebol. E, mesmo como Clube de Regatas, só em 1904 elegeu um presidente afro-descendente. Segundo historiadores, em 1923 jogou pela primeira vez com afrodescendentes e só no ano seguinte defendeu junto à Federação Carioca o direito de ter jogadores negros. A Ponte, como se vê, já praticava a democracia racial antes da equipe vascaína também.
 Seja no campo, na torcida ou em sua diretoria, a Ponte Preta segue um conceito que espera ver amplamente popularizado no mundo: aqui há uma única raça, a raça humana. Além dessa, só aquela que nossos jogadores mostram em campo.

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