Movimento quer homenagem à Ponte Preta e Miguel do Carmo na abertura da Copa do Mundo 2014
Objetivo é promover reconhecimento da equipe como primeira democracia racial no futebol brasileiro
Um movimento formado pelos familiares de
Miguel do Carmo e famílias de fundadores da Ponte Preta - como a
família Burghi e torcedores alvinegros está pleiteando, com o apoio da
AAPP, uma homenagem para Miguel e a Ponte Preta na abertura oficial da
Copa do Mundo 2014. A ideia é promover um reconhecimento oficial da
Macaca como primeira democracia racial no futebol brasileiro.
“No dia 27 de março a Câmara Municipal
de Campinas já concedeu o Título Mérito Desportivo ao atleta
futebolístico Miguel do Carmo. Como a Copa do Mundo será em solo
brasileiro estamos neste movimento. Vale lembrar que desde 2003 a Ponte
Preta, através do historiador e professor José Moraes dos Santos Neto e a
diretoria do clube, tenta ser reconhecida pela FIFA como o primeiro
clube a aceitar e ter jogadores negros em sua equipe”, diz um dos
lideres do movimento, Carlos Burghi.
Em 1900, um grupo de rapazes e garotos
resolveu fundar um time de futebol. Em 11 de agosto de 1900 Alberto
Aranha, Antonio de Oliveira, Dante Pera, Luiz Afonso, Luiz Garibaldi
Burghi, Miguel do Carmo, Pedro Vieira da Silva e Zico Vieira fundaram a
Associação Atlético Ponte Preta com o objetivo de praticar o futebol sem
preconceito de raça ou religião. No mesmo ano da fundação, Miguel do
Carmo se tornou jogador do clube, o primeiro jogador de futebol negro do
país.
“Os meninos e rapazes jogadores de
futebol eram brancos,negros e mulatos.Entre os jovens tínhamos quatro
negros e dois mulatos,mas um deles se tornou jogador do primeiro time da
Ponte Preta após a sua fundação em 11 de agosto de 1900,seu nome era
Miguel do Carmo conhecido e chamado na época por Migué”, reforça o
historiador da Ponte Preta, professor José Moraes dos Santos Neto.
Com isso, além de ser primeiro time de
futebol fundado no Brasil em atividade ininterrupta, a Ponte Preta
também se orgulha de ser a primeira democracia racial no futebol
brasileiro. Tanto dentro dos campos quanto fora deles, a Macaca foi
pioneira em ter cidadãos afrodescendentes em seus quadros, sem nenhum
tipo de preconceito, desde a fundação do time em 11 de agosto de 1900.
Há quem pense que os primeiros times
nacionais a aceitar negros e afro-descendentes foram os cariocas, como o
Bangu, que em 1905 escalou Francisco Carregal. No entanto, quando isso
ocorreu, já fazia cinco anos que Migué do Carmo tinha entrado em campo
com a camisa alvinegra pela primeira vez.
Outro mito amplamente divulgado é de
que o Vasco da Gama teria sido a primeira equipe a aceitar negros em seu
elenco. Na verdade, o Vasco foi fundado como clube de regatas em 1898,
mas só em 1915 criou seu departamento de futebol. E, mesmo como Clube de
Regatas, só em 1904 elegeu um presidente afro-descendente. Segundo
historiadores, em 1923 jogou pela primeira vez com afrodescendentes e só
no ano seguinte defendeu junto à Federação Carioca o direito de ter
jogadores negros. A Ponte, como se vê, já praticava a democracia racial
antes da equipe vascaína também.
Seja no campo, na torcida ou em sua
diretoria, a Ponte Preta segue um conceito que espera ver amplamente
popularizado no mundo: aqui há uma única raça, a raça humana. Além
dessa, só aquela que nossos jogadores mostram em campo.
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