'Acerto de contas' e falta de acordo sobre multa dão sobrevida a Guto
Diretoria e técnico lavam a roupa suja. Márcio Della Volpe é convencido a dar voto de confiança ao treinador e adia decisão sobre saída
treinador junto à diretoria (Foto: Reprodução EPTV)
Uma ‘lavagem de roupa suja’ e a falta do acordo sobre a multa rescisória deram uma sobrevida ao treinador e adiaram a decisão final sobre a sua saída. Até segunda ordem, ele estará à frente da Alvinegra campineira na disputa do Título do Interior, que começa neste domingo, com a semifinal contra o Linense. Para a sequência da temporada, os planos são outros. A Ponte vai avaliar outros nomes para assumir o time. Dado Cavalcanti, do Mogi Mirim, desponta como favorito. Guto, por sua vez, tem em mãos uma oferta do futebol do Qatar e recebeu sondagem do Bahia.
Se nos bastidores a relação está abalada, publicamente, diretoria e técnico resolveram dar uma trégua. Uma reunião na noite de terça-feira com o presidente Márcio Della Volpe, Guto Ferreira, o executivo de futebol Ocimar Bolicenho, o diretor de futebol José Hamilton Silva e o gerente de futebol Marcus Vinícius tratou de divergências internas.
Todos abriram o jogo sobre situações que incomodaram cada um durante o Paulistão, e houve um ‘realinhamento de expectativas’. No encontro, Della Volpe também foi convencido por Ocimar e Marcus Vinícius a dar um voto de confiança ao treinador. Foi a dupla do departamento de futebol que bancou a permanência momentânea de Guto.
Se esses ajustes não acontecerem, aí vamos pensar direito em uma
mudança, mas sem se deixar levar pela frustração da eliminação"
Ocimar Bolicenho
O dirigente, aliás, fez questão de ressaltar que, se tivesse o poder de dar a palavra final, ficaria com Guto para o Brasileirão, mas lembrou que também há a questão financeira. Uma multa em torno de R$ 500 mil tem de ser paga pela Ponte em caso demissão ou pelo treinador se optar por trocar a Macaca por outro clube. Mas ninguém está disposto a arcar com o valor. Até por isso, a Ponte espera Sérgio Carnielli, presidente afastado, mas que ainda é o homem forte do clube, voltar de viagem para definir o imbróglio.
- Como faço parte do departamento de futebol, analiso a situação técnica. Nesse ponto de vista, a permanência do Guto é importante para dar sequência ao planejamento que fizemos no início do ano. Claro que tínhamos o objetivo de conquistar o Paulista, mas temos outras metas pela frente, como a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. Do lado financeiro, é a diretoria quem tem de ver, mas a Ponte está sempre atenta para não estourar o orçamento e, consequentemente, atrapalhar a montagem do elenco para a sequência da temporada.
Na tarde desta quarta-feira, Guto Ferreira falou pela primeira vez sobre o assunto. Na defensiva, ele também admitiu o desgaste, mas garantiu que está disposto a aparar as arestas para continuar no Majestoso. Técnico e Ponte têm contrato até 31 de dezembro.
- O dia a dia gera um desgaste, é natural. Você sempre tem de rever relacionamentos com A e com B. O resultado do jogo, no nosso caso, também é um desgaste. Quando não acontece o que você quer, é o momento de todo mundo opinar para buscar o melhor caminho. É assim: se avalia, se planeja, se executa. Mas eu estou tranquilo. Em momento algum disse que sairia. Eu tenho um compromisso com a Ponte e acredito nesse projeto – disse.
A eliminação no Campeonato Paulista no último domingo, com a goleada por 4 a 0 para o Corinthians, deixou o técnico na berlinda. Desde o fim da primeira fase, dirigentes da Macaca passaram a questionar internamente algumas decisões do comandante alvinegro. O empate por 0 a 0 com o Bragantino na rodada final, que colocou a equipe em um cruzamento complicado no mata-mata, e a opção por fechar os treinos ao longo da semana antes do duelo com o Corinthians não caíram bem.
Contra o Bragantino, Guto preferiu ficar sem quatro titulares (Artur, Bruno Silva, Cicinho e Chiquinho, suspensos) para que entrassem zerados na fase decisiva. Com um time reformulado, a Ponte perdeu a chance de garantir a vice-liderança, caiu para quarto e pegou o poderoso Corinthians logo de cara, o que foi considerado erro de planejamento do técnico. Se mantivesse o segundo lugar, a Ponte teria pela frente o Botafogo. Nesse sentido, Bolicenho saiu em defesa do treinador.
- Todo mundo do departamento de futebol concordou que o melhor, para aquele momento, era forçar a suspensão dos pendurados para a última rodada da primeira fase. Então, se foi uma decisão equivocada, todos erraram, não apenas o Guto.
Após domingo, a insatisfação virou pública, com declarações que sinalizavam que faltou coragem ao treinador nos momentos decisivos. Sem sentir apoio por parte da diretoria, Guto percebeu o clima desfavorável para continuar no cargo e passou a reconsiderar a proposta do Qatar. O primeiro contato foi no início de abril, quando o técnico ainda estava focado no sonho do inédito título estadual e sequer levou a conversa adiante.
Guto Ferreira chegou ao Majestoso em setembro do ano passado para substituir Gilson Kleina, que trocou a Ponte pelo Palmeiras. Após um começo complicado, conseguiu manter a Alvinegra campineira na elite nacional e conquistou moral para renovar o contrato até dezembro de 2013.
O início da nova temporada foi animador. Foram 17 partidas consecutivas sem derrota – 16 pelo Paulista e uma pela Copa do Brasil – no melhor início de temporada da história do clube. Mas o time perdeu fôlego na reta de chegada e viu o sonho do inédito título estadual escapar mais uma vez. Em 33 partidas sob o comando de Guto, a Ponte teve 15 vitórias, dez empates e oito derrotas, com um aproveitamento de 55,5%.
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