quinta-feira, 2 de maio de 2013

Guto esta com horas contadas

'Acerto de contas' e falta de acordo sobre multa dão sobrevida a Guto

Diretoria e técnico lavam a roupa suja. Márcio Della Volpe é convencido a dar voto de confiança ao treinador e adia decisão sobre saída

Guto Ferreira Ocimar Bolicenho ponte Preta Macaca Ponte (Foto: Reprodução EPTV)Guto com Ocimar e Marcus Vinícius: dupla bancou o
treinador junto à diretoria (Foto: Reprodução EPTV)
Parece apenas uma questão de tempo: tudo indica que Guto Ferreira está com os dias contados na Ponte Preta. Com a relação desgastada, as partes acreditam, mesmo que em sigilo, que o melhor no momento é cada um seguir o seu caminho. O da Macaca é procurar um novo técnico para o Brasileirão. O de Guto é analisar propostas de outros clubes. Enquanto uma coisa nem outra acontecem, os lados adotam um discurso conservador, mas deixam o futuro em aberto.
Uma ‘lavagem de roupa suja’ e a falta do acordo sobre a multa rescisória deram uma sobrevida ao treinador e adiaram a decisão final sobre a sua saída. Até segunda ordem, ele estará à frente da Alvinegra campineira na disputa do Título do Interior, que começa neste domingo, com a semifinal contra o Linense. Para a sequência da temporada, os planos são outros. A Ponte vai avaliar outros nomes para assumir o time. Dado Cavalcanti, do Mogi Mirim, desponta como favorito. Guto, por sua vez, tem em mãos uma oferta do futebol do Qatar e recebeu sondagem do Bahia.
Se nos bastidores a relação está abalada, publicamente, diretoria e técnico resolveram dar uma trégua. Uma reunião na noite de terça-feira com o presidente Márcio Della Volpe, Guto Ferreira, o executivo de futebol Ocimar Bolicenho, o diretor de futebol José Hamilton Silva e o gerente de futebol Marcus Vinícius tratou de divergências internas.
Todos abriram o jogo sobre situações que incomodaram cada um durante o Paulistão, e houve um ‘realinhamento de expectativas’. No encontro, Della Volpe também foi convencido por Ocimar e Marcus Vinícius a dar um voto de confiança ao treinador. Foi a dupla do departamento de futebol que bancou a permanência momentânea de Guto.
Se esses ajustes não acontecerem, aí vamos pensar direito em uma mudança, mas sem se deixar levar pela frustração da eliminação"
Ocimar Bolicenho
- Foi uma reunião muito importante, de pessoas adultas. Existiam algumas divergências entre o que a diretoria gostaria que o treinador fizesse e vice-versa. Tudo o que não funcionou foi conversado. São situações internas fáceis de resolver, mas desde que o comportamento das partes mude em relação ao que aconteceu neste início de temporada. Se esses ajustes não acontecerem, aí vamos pensar direito em uma mudança, mas sem se deixar levar pela frustração da eliminação – disse Bolicenho, em entrevista à Rádio Bandeirantes, de Campinas.
O dirigente, aliás, fez questão de ressaltar que, se tivesse o poder de dar a palavra final, ficaria com Guto para o Brasileirão, mas lembrou que também há a questão financeira. Uma multa em torno de R$ 500 mil tem de ser paga pela Ponte em caso demissão ou pelo treinador se optar por trocar a Macaca por outro clube. Mas ninguém está disposto a arcar com o valor. Até por isso, a Ponte espera Sérgio Carnielli, presidente afastado, mas que ainda é o homem forte do clube, voltar de viagem para definir o imbróglio.
- Como faço parte do departamento de futebol, analiso a situação técnica. Nesse ponto de vista, a permanência do Guto é importante para dar sequência ao planejamento que fizemos no início do ano. Claro que tínhamos o objetivo de conquistar o Paulista, mas temos outras metas pela frente, como a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. Do lado financeiro, é a diretoria quem tem de ver, mas a Ponte está sempre atenta para não estourar o orçamento e, consequentemente, atrapalhar a montagem do elenco para a sequência da temporada.
Na tarde desta quarta-feira, Guto Ferreira falou pela primeira vez sobre o assunto. Na defensiva, ele também admitiu o desgaste, mas garantiu que está disposto a aparar as arestas para continuar no Majestoso. Técnico e Ponte têm contrato até 31 de dezembro.
- O dia a dia gera um desgaste, é natural. Você sempre tem de rever relacionamentos com A e com B. O resultado do jogo, no nosso caso, também é um desgaste. Quando não acontece o que você quer, é o momento de todo mundo opinar para buscar o melhor caminho. É assim: se avalia, se planeja, se executa. Mas eu estou tranquilo. Em momento algum disse que sairia. Eu tenho um compromisso com a Ponte e acredito nesse projeto – disse.
Guto Ferreira Ponte Preta x Palmeiras (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Guto Ferreira ficou na berlinda após queda precoce no Paulistão (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Eliminação acentuou divergências
A eliminação no Campeonato Paulista no último domingo, com a goleada por 4 a 0 para o Corinthians, deixou o técnico na berlinda. Desde o fim da primeira fase, dirigentes da Macaca passaram a questionar internamente algumas decisões do comandante alvinegro. O empate por 0 a 0 com o Bragantino na rodada final, que colocou a equipe em um cruzamento complicado no mata-mata, e a opção por fechar os treinos ao longo da semana antes do duelo com o Corinthians não caíram bem.
Contra o Bragantino, Guto preferiu ficar sem quatro titulares (Artur, Bruno Silva, Cicinho e Chiquinho, suspensos) para que entrassem zerados na fase decisiva. Com um time reformulado, a Ponte perdeu a chance de garantir a vice-liderança, caiu para quarto e pegou o poderoso Corinthians logo de cara, o que foi considerado erro de planejamento do técnico. Se mantivesse o segundo lugar, a Ponte teria pela frente o Botafogo. Nesse sentido, Bolicenho saiu em defesa do treinador.
- Todo mundo do departamento de futebol concordou que o melhor, para aquele momento, era forçar a suspensão dos pendurados para a última rodada da primeira fase. Então, se foi uma decisão equivocada, todos erraram, não apenas o Guto.
Após domingo, a insatisfação virou pública, com declarações que sinalizavam que faltou coragem ao treinador nos momentos decisivos. Sem sentir apoio por parte da diretoria, Guto percebeu o clima desfavorável para continuar no cargo e passou a reconsiderar a proposta do Qatar. O primeiro contato foi no início de abril, quando o técnico ainda estava focado no sonho do inédito título estadual e sequer levou a conversa adiante.
Guto Ferreira chegou ao Majestoso em setembro do ano passado para substituir Gilson Kleina, que trocou a Ponte pelo Palmeiras. Após um começo complicado, conseguiu manter a Alvinegra campineira na elite nacional e conquistou moral para renovar o contrato até dezembro de 2013.
O início da nova temporada foi animador. Foram 17 partidas consecutivas sem derrota – 16 pelo Paulista e uma pela Copa do Brasil – no melhor início de temporada da história do clube. Mas o time perdeu fôlego na reta de chegada e viu o sonho do inédito título estadual escapar mais uma vez. Em 33 partidas sob o comando de Guto, a Ponte teve 15 vitórias, dez empates e oito derrotas, com um aproveitamento de 55,5%.

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