Vestiário, estratégia e resultados: os motivos da saída de Guto da Ponte
Diálogo entre treinador e elenco era cada vez menor, assim como respaldo da diretoria. Macaca busca agora técnico que tenha perfil mais conciliador
A demissão de Guto Ferreira, sacramentada em reunião nesta
quinta-feira, é dada como certa na Ponte Preta desde a derrota por 4 a 0
para o Corinthians, pelas quartas de final do Paulistão. Por uma
combinação entre fatores extra-campo e de discordâncias de futebol,
diretoria e treinador não falavam mais a mesma língua há um mês. A
rescisão contratual - em que o clube aceitou pagar metade da multa
rescisória de R$ 600 mil para quebrar o vínculo - foi a consequência
lógica de tantos problemas.
Gesto de Guto serve como explicação para fim do ciclo: choque derrubou treinador (Foto: Murilo Borges)
A partir do mau desempenho no primeiro mata-mata do Paulista (que
acabou com o sonho de consumo de todos do clube), a diretoria começou a
questionar métodos da comissão técnica. A escalação de reservas contra o
Bragantino na última rodada, quando a Macaca já estava com a vaga
garantida, irritou os cartolas, que consideram esse um dos motivos pela
eliminação precoce.
Em paralelo, técnico e jogadores já não falavam a mesma língua no vestiário. Da base que ficou 19 jogos invicta entre o fim de 2012 e o início deste ano, alguns ficaram pelo caminho aos poucos. O caso que mais chamou atenção foi o do volante Bruno Silva, destaque no começo da temporada, mas que se desentendeu com Guto Ferreira antes da final do Título do Interior. O jogador deixou a Macaca antes do treinador, e demonstrou mágoa.
- Não era meu objetivo sair da Ponte Preta, mas senti que não era mais útil. Em momento algum me recusei a falar com ele. Viajei para Penápolis com o elenco e, na preleção, ele me tirou do time. Desde então ele não conversa mais comigo. Você vê que o Guto não tem critério para mexer na equipe. Isso deixa o jogador chateado - reclamou o volante, ainda com destino incerto.
Della Volpe garantiu Guto antes do Brasileiro, mas
mudou de ideia com derrotas (Foto: Marcos Ribolli)
Percebendo a relação conturbada entre comandante e comandados, a Ponte
iniciou negociações com outros técnicos. Nos bastidores, circula a
informação de que Paulo Silas, então no comando do Náutico, estava
acertado para assumir o cargo na primeira rodada do Brasileiro, dia 26
de maio, contra o São Paulo. A informação vazou dias antes, o que teria
impedido o acerto e feito o presidente Márcio Della Volpe convocar uma
entrevista para dar respaldo ao trabalho de Guto Ferreira.
- O treinador da Ponte é o Guto Ferreira. Tivemos uma frustração enorme por ter saído do Campeonato Paulista, mas a questão é que esta diretoria, em nenhum momento, falou que procura um novo técnico. Não sei de onde saiu o nome do Silas. Não tem nem lógica nisso. Se cada dia que a gente der um passo vai ser porque está demitindo técnico, fica difícil até para ele trabalhar. O Guto tem um contrato a cumprir e queremos que ele fique - anunciou Della Volpe.
A garantia teve curta duração (22 dias) e não resistiu aos tropeços. Derrotas para São Paulo (2 a 0), Corinthians (1 a 0) e Atlético-PR (4 a 3), esta depois de liderar o placar duas vezes, convenceram os cartolas pontepretanos de que a saída era a melhor solução. Guto, talvez não sentindo o mesmo respaldo de outrora, aceitou sem muitos questionamentos.
- É uma situação absolutamente normal dentro do futebol. O clube tem todo o direito de fazer a escolha que quiser. É questão de opção. Os resultados não vieram e assim fica difícil a continuidade do trabalho - falou o treinador, em seu último dia no Moisés Lucarelli.
Contra o Botafogo, no sábado, Zé Sérgio (que dirigiu o clube na Copa São Paulo) será o comandante. A diretoria ganha, assim, um tempo para decidir quem assumirá o lugar de Guto Ferreira. A intenção é buscar alguém mais aberto ao diálogo e que tenha o perfil conciliador. Curiosamente, o mais cotado é Silas, que já nem trabalha mais no Náutico como há um mês. Um roteiro previsível em outros tempos que só o futebol é capaz de criar.
Relacionamento desgastante com os jogadores foi um dos motivos da saída (Foto: Carlos Velardi / EPTV)
Em paralelo, técnico e jogadores já não falavam a mesma língua no vestiário. Da base que ficou 19 jogos invicta entre o fim de 2012 e o início deste ano, alguns ficaram pelo caminho aos poucos. O caso que mais chamou atenção foi o do volante Bruno Silva, destaque no começo da temporada, mas que se desentendeu com Guto Ferreira antes da final do Título do Interior. O jogador deixou a Macaca antes do treinador, e demonstrou mágoa.
- Não era meu objetivo sair da Ponte Preta, mas senti que não era mais útil. Em momento algum me recusei a falar com ele. Viajei para Penápolis com o elenco e, na preleção, ele me tirou do time. Desde então ele não conversa mais comigo. Você vê que o Guto não tem critério para mexer na equipe. Isso deixa o jogador chateado - reclamou o volante, ainda com destino incerto.
mudou de ideia com derrotas (Foto: Marcos Ribolli)
- O treinador da Ponte é o Guto Ferreira. Tivemos uma frustração enorme por ter saído do Campeonato Paulista, mas a questão é que esta diretoria, em nenhum momento, falou que procura um novo técnico. Não sei de onde saiu o nome do Silas. Não tem nem lógica nisso. Se cada dia que a gente der um passo vai ser porque está demitindo técnico, fica difícil até para ele trabalhar. O Guto tem um contrato a cumprir e queremos que ele fique - anunciou Della Volpe.
A garantia teve curta duração (22 dias) e não resistiu aos tropeços. Derrotas para São Paulo (2 a 0), Corinthians (1 a 0) e Atlético-PR (4 a 3), esta depois de liderar o placar duas vezes, convenceram os cartolas pontepretanos de que a saída era a melhor solução. Guto, talvez não sentindo o mesmo respaldo de outrora, aceitou sem muitos questionamentos.
- É uma situação absolutamente normal dentro do futebol. O clube tem todo o direito de fazer a escolha que quiser. É questão de opção. Os resultados não vieram e assim fica difícil a continuidade do trabalho - falou o treinador, em seu último dia no Moisés Lucarelli.
Contra o Botafogo, no sábado, Zé Sérgio (que dirigiu o clube na Copa São Paulo) será o comandante. A diretoria ganha, assim, um tempo para decidir quem assumirá o lugar de Guto Ferreira. A intenção é buscar alguém mais aberto ao diálogo e que tenha o perfil conciliador. Curiosamente, o mais cotado é Silas, que já nem trabalha mais no Náutico como há um mês. Um roteiro previsível em outros tempos que só o futebol é capaz de criar.
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