domingo, 1 de dezembro de 2013

Delavolpe assume responssabilidade pela queda

'Caímos de pé': em carta, presidente da Ponte Preta pede apoio pós-queda

Márcio Della Volpe assume responsabilidade pela má campanha da Macaca nesta temporada, mas lembra que torcida é fundamental na final da Copa Sul-Americana


O rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro, apesar de atrapalhar o planejamento do clube nos próximos anos, não pode abalar o crescimento da Ponte Preta. A visão é do presidente Márcio Della Volpe, que, no comando do clube, conquistou bons resultados de 2011 para cá. Em carta aberta ao torcedor, divulgada neste domingo, o mandatário assumiu a responsabilidade pela queda da Macaca, mas ao mesmo tempo exaltou campanhas de sucesso no passado recente. Para ele, o segredo é ter o apoio do torcedor, ainda mais em um capítulo importante nos 113 anos de história da equipe.
Ponte Preta (Foto: Marcos Ribolli)Ponte Preta precisa de união para superar rebaixamento, de acordo com palavras do presidente (Foto: Marcos Ribolli)
A partir de quarta-feira, a Ponte começa a disputa pelo título da Copa Sul-Americana. No Pacaembu, em São Paulo, enfrenta o Lanús às 21h50 (de Brasília). Uma semana depois, vai a Argentina encarar os hermanos no Estádio Néstor Dias Pérez, no distrito de Lanús, a 20 quilômetros da capital Buenos Aires. É nessa competição que o presidente pontepretano aposta para não só encerrar o ano de maneira positiva, como também estancar parte dos problemas causados pelo rebaixamento.
Confira a mensagem do presidente na íntegra:
Cair em pé

Em 2013, dois anos depois de termos retornado à elite do Campeonato Brasileiro graças a uma luta incessante que travávamos desde 2007, mais uma vez nos vemos na série B. O sentimento de tristeza existe (ainda que misturado com a euforia que vivemos por estarmos disputando nas próximas semanas o título de campeão Sul Americano) e não pode ser negado. Mas nem por isso deve ultrapassar o sentimento de honra e de dignidade de ser pontepretano. A instituição e o trabalho que estamos fazendo nas últimas gestões são muito maiores do que o resultado de um campeonato. Pensar diferente é pensar pequeno, ainda quando pela primeira vez em seus 113 anos de história estamos não só disputando um torneio internacional como chegamos às finais desta mesma competição, com chances reais de conquistar o título.

Enfrentamos dificuldades e obstáculos notórios que nos conduziram até a atual situação no Brasileiro. Não é hora de regurgitar fatos nem de atribuir culpas. Mas a responsabilidade, essa é minha, como presidente do clube, e da instituição. Uma responsabilidade que assumo não apenas como dirigente, mas como um torcedor pontepretano, de família de muitas gerações de pontepretanos, que fez o seu máximo para evitar esta queda.

Nos últimos anos, a Ponte tem tido belas exibições no Campeonato Paulista, ficando sempre entre os oito primeiros, diversas vezes entre os quatro – além de ter sido finalista em 2008 e duas vezes campeã do Interior. Somos reconhecidamente, hoje, uma das principais forças do futebol paulista.  Disputamos, neste ano de 2013, pela primeira vez em nossa centenária história, uma competição internacional na qual estamos fazendo bonito e lutando já com todas as nossas forças em busca de um título inédito e sonhado por toda nação alvinegra. Estamos nas finais da Sul Americana 2013.

Fora dos gramados, temos grandes dívidas, mas grandes dividendos. Pagamos nossas contas em dia e temos uma administração respeitada, uma gestão moderna, correta, limpa e transparente. Hoje, a instituição Associação Atlética Ponte Preta goza de um respeito no mundo do futebol quase tão grande quanto sua tradição como primeiro time de futebol do Brasil em funcionamento ininterrupto desde sua criação e primeira democracia racial do futebol brasileiro. E é nesta instituição que devemos pensar, hoje e sempre.

Como responsável pela Ponte Preta neste momento difícil, peço primeiro desculpas à nossa amada torcida. Não, cair para a série B não é o fim do mundo. Mas é doloroso e nunca gostaríamos de passar por isso, ainda mais porque, em nossa avaliação, seriam necessários três anos na série A para que as finanças do clube se estabilizassem em definitivo, trazendo inúmeras benesses a nossa querida Macaca. Foram dois. Com a queda, não começaremos do zero, mas teremos que redobrar mais uma vez nossos esforços e criatividade para que o crescimento não se estagne.

Em segundo lugar, pensamos no futuro e clamo a esta mesma torcida que continue apoiando a Ponte Preta, cada vez mais, com cada vez mais paixão. Este apoio será, como sempre, crucial para que conquistemos grandes resultados e para que possamos transformar esta queda em algo transitório, para que possamos comemorar juntos e o mais rápido possível um novo retorno à série A.

Antes disso, porém, temos um título a disputar e convoco todos os pontepretanos para que juntos enchamos o Pacaembu na próxima quarta e apoiemos nossa amada Macaca em busca do grito de campeão há tanto tempo entalado em nossas gargantas. Façamos do dia de hoje um dia de resignação e compromisso. Um dia no qual reiteramos o sentimento tão bem exposto por nosso hino quando as palavras de Renato Silva colocam  “Ponte Preta, sempre, sempre, na derrota ou na vitória”, mas mais ainda quando afirmam “orgulho de nossa terra”.  Caímos, sim, mas caímos em pé.

Márcio Della Volpe
Presidente da AAPP

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