Sem informações ou interesse, clubes do interior rechaçam e ironizam greve
Paralisação do Campeonato Paulista não teve apoio dos 15 times ouvidos pelo GloboEsporte.com; movimento foi proposto pelo Sindicato dos Atletas do Estado
A paralisação do Campeonato Paulista nesta 7ª rodada, proposta pelo Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo, não ganhou força no interior. Procurados pelo GloboEsporte.com, os 15 clubes, representados por atletas e dirigentes, demonstraram falta de interesse e ausência de informações sobre a greve, motivada pela invasão de torcedores ao CT do Corinthians. A possibilidade de greve já foi afastada pelo próprio sindicato.
O presidente do Penapolense, Nilson Moreira, criticou a baixa representatividade dos chamados "times pequenos" dentro do sindicato e questionou sobre um possível tratamento ou repercussão caso a mesma invasão tivesse ocorrido em Penápolis, por exemplo. Ele ironizou a tentativa de mobilização.
- Se a torcida de um time pequeno, como o Penapolense, invadir o CT, vão parar o Campeonato Paulista? O Corinthians está em crise. Eles que busquem segurança e respondam em campo. Os outros clubes, principalmente os pequenos, não podem pagar por isso - afirmou Moreira.
O atacante Alex Afonso, ex-Palmeiras e atualmente no Rio Claro, também saiu em defesa dos atletas menos favorecidos, alegando a necessidade de se atuar no fim de semana. De acordo com o jogador, receber em dia, sem risco de punições como multas e corte de salário, está acima do interesse de um clube específico, no caso o Corinthians.
- Até agora não chegou nada. Ninguém nos procurou para discutir. Ficamos sabendo tudo pela imprensa. Estamos assustados com essa história porque jogamos em times pequenos e dependemos disso. É complicado ficar sem jogar. Temos contrato até o final do Paulistão e esse é o sustento das nossas famílias. Os caras dos times grandes já estão com a vida ganha, e aqui se mata um leão por dia. Temos de jogar - disse o atacante, que teve o apoio dos jogadores do Ituano, que se reuniram na quarta-feira e votaram pela não adesão à greve.
Além de defender interesses particulares, dirigentes e jogadores apontaram uma falta de diálogo e troca de informações por parte do Sindicato. Quais seriam as reivindicações? Existem atitudes planejadas? Propostas a serem apresentadas? Boa parte dos jogadores do interior não foi consultada sobre o que pensam sobre a greve.
Confira abaixo o que os representantes de cada clube comentaram sobre a possível paralisação do Campeonato Paulista:
A diretoria do Audax afirma que ninguém foi procurado ou notificado sobre uma possível paralisação.
"Esperamos o posicionamento do sindicato. Até agora, não sabemos de nada. Nós vamos pensar, sim, no que eles vão nos dizer, mas também vamos pensar no Botafogo, no nosso torcedor, no clube que estamos defendendo. Quem deu a liberdade para os torcedores entrarem no CT foi a diretoria do Corinthians. Se tiver um motivo disso tudo, uma reivindicação em cima disso tudo, acho válido. Agora, se for para chamar a atenção e dizer 'não aceitamos o que foi feito', é algo a ser melhor estudado e pensado. Existe uma hierarquia no Botafogo. Caso venha alguma recomendação, vamos conversar entre nós, jogadores, depois passar pela diretoria e, aí sim, tomar uma decisão", disse o atacante William.
"Para nós, jogadores, não passaram nada de concreto. Nós conversamos, mas não chegou nada. Pensando pela segurança dos
atletas, achamos válido. Temos que pensar no futuro. Podemos um dia,
talvez, estar em um grande clube e passar pela mesma situação. Se pensarmos pelo lado que estamos vivendo uma
boa fase no Paulista, pode ser que nos prejudique um pouco. Mas é pela vida de
um profissional", comentou o zagueiro Guilherme Mattis.
Até o término da reportagem, ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto.
Segundo o diretor de futebol da equipe de Itápolis, Mauro Guerra, não haverá greve por parte do Rubro-Negro do interior paulista. O time entra em campo nesta sexta-feira contra o Ituano.
O clube informou que não haverá greve por parte do Paulista. A programação de treinamentos segue sem alteração, visando os próximos jogos da equipe no Estadual.
"Se a torcida de um time pequeno, como o Penapolense, invadir o CT, vão parar o Campeonato Paulista? O Corinthians está em crise. Eles que busquem segurança e respondam em campo. Os outros clubes, principalmente os pequenos, não podem pagar por isso", declarou o presidente do Penapolense, Nilson Pereira.
"A Ponte Preta vai para o jogo normalmente. Se houver uma ação sindical, a decisão caberá aos atletas. É uma questão sindical. Os atletas se pronunciaram e fizeram o movimento junto ao sindicato, mas não apresentaram nada de positivo ao futebol. Não chegaram ao problema do futebol, que é bem maior. A invasão do Corinthians é uma questão de segurança pública. Punir o campeonato é uma derrota para o futebol. Se o jogador acha que está inseguro, não é o clube que vai prestar segurança a ele. Não vamos converncer o torcedor a agir de forma diferente", disse o presidente da Macaca, Márcio DellaVolpe.
"Não chegou nada para nós. Ninguém nos procurou para discutir. Ficamos sabendo tudo pela imprensa. Estamos assustados com essa história porque jogamos em times pequenos e dependemos disso. É complicado ficar sem jogar. Temos contrato até o final do Paulistão e esse é o sustento das nossas famílias. Os caras dos times grandes já estão com a vida ganha, e aqui se mata um leão por dia. Temos que jogar", comentou o atacante Alex Afonso.
Ninguém do clube quis comentar o assunto.
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